sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ah, a invisibilidade...

domingo, 26 de julho de 2009

Grande Clarice!

...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda...

Clarice Lispector

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Canção da Tarde no Campo


"Caminho do campo ver
deestrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando,
vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha."


Cecília Meirelles

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Abençoada Manhã de Domingo


Não sei exatamente quando se deu, mas eu havia me perdido novamente. Sem que eu percebesse, um velho ciclo destrutivo voltava a se fazer presente. Eu não sabia o que era certo, mas tinha plena certeza do que não era. E ainda assim me via "errando" constantemente. Até que sábado alcancei todos os meus limites de cansaço, adotando visivelmente uma postura totalmente contrária aos meus verdadeiros conceitos e anseios, que quando expostos, refletem incompreensivelmente a contramão dos meus desejos. Sozinha por algumas horas, pensei. Muito. Lembrei-me de um texto que eu mesma escrevi há tempos atrás e senti vontade de reler. Reli cada palavra que havia sido abandonada com o correr dos dias. Os sentidos de cada uma estavam cobertos de pó. Passei a flanela com cuidado, em todas as letras, todos os parágrafos. Foi lento, propositalmente, para que nenhuma linha se apagasse. Ao final, lá estava eu, mais uma vez. Clara, limpa e a minha espera.


LACRIMA


"Escorreram invisivelmente. Um choro mudo, silencioso, interno, sentido. Molhavam meu coração, salgavam minha corrente sanguínea e deixavam seca minha epiderme facial. Enquanto meus olhos permaneciam fechados ou vidrados no teto que se dispunha acima de mim, eu me via espectadora de um cinema onde a película transmitida era minha própria vida. Algumas vezes tive vontade de apertar o pause e reviver determinadas coisas, outras acelerava a imagem para que tudo fosse menor, mas o mais interessante desse filme (velho conhecido) que a mim se apresentava, era que ao revivê-lo eu encontrei alternativas para colar os pedaços hoje espalhados por todo meu ser. Alternativas que até então minhas retinas embaçadas desconsideravam ou simplesmente não viam. Alternativas que não carregam certezas e sim possibilidades, caminhos.

Chorei o meu passado, o meu futuro que não se constrói pelo meu presente aprisionado. O meu cotidiano de cabeça pra baixo, com “não sei” (s) vazando pelos meus poros. Chorei um eu que transborda de incertezas, vontades, saudades, confusões e tudo o que condeno sentir.

Chorei as dores que causei e causo, as dores que senti e que sinto, a minha imperfeição, o meu radicalismo, o chicote que está sempre a espera das minhas mãos e que me aponta e me condena com uma severidade que eu renego, mas não consigo abandonar.

Chorei os meus fantasmas, os meus medos, a minha covardia, as fugas que me fazem enganosamente crer que são as melhores soluções e que eu finjo acreditar só para me sentir um pouco mais confortável diante de tudo aquilo que me incomoda. Chorei os meus defeitos e deficiências, revi minhas qualidades ou pelo menos tentei reencontrá-las perdidas em toda a ausência de fé que venho sentindo.

Chorei, chorei, chorei e até ri sozinha em alguns momentos. Foi um choro sem julgamentos, sem distinção de certo ou errado, choro de libertação. Precisava me libertar de mim. É difícil olhar no espelho e perceber que um estranho lhe convida a sorrir.

Bebi do meu próprio sal para assim tentar descobrir o que tanto me prende nas dores que sinto. Estar diante de um eu que eu tanto adiei conhecer (achando que conhecia) ou até mesmo lutei para não precisar enxergar me fez um mal estranhamente bom. As lágrimas que produzi não molharam meu rosto, mas lavaram minha alma. Meu interior precisava, agora percebo o quanto precisava! E um silêncio indeterminado se estabeleceu."


Volto a ser apenas soldado! =)